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quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Será que você conhece toda a história aqui da Torre do Farol de São Tomé? Descubra se realmente você sabe!

Campos dos Goytacazes-RJ Latitude: 22º 02',5 S Longitude 041º 03',1 W – Alcance Luminoso: 40 millhas Naúticas – Inaugurado em 29 de julho de 1882

Por volta de 1850, empresários envolvidos com o comércio e o tráfego marítimo reivindicavam a instalação de mais dois faróis na costa da Província do Rio de Janeiro. Os locais escolhidos eram a Ilha de Santana, próximo a Macaé, e SãoTomé. A esse último atribuiu-se a prioridade de implantação, devido aos baixios que de lá se estendem a até 10 milhas náuticas da costa. O Capitão-Tenente Francisco José de Freitas, primeiro Diretor da "Directoria de Pharóes", descreveu os baixios de São Tomé como "um sorvedouro perene de tantas embarcações, não obstante conhecida posição dos mesmos, assinalados nas mais antigas modernas cartas da costa".
O terreno adquirido para receber o farol tinha a vantagem de permitir boa visibilidade para o mar e distar apenas 13km da localidade de Santo Amaro. Essa proximidade facilitaria as comunicações dos faroleiros com a capital.
 Em 1881, iniciou-se a montagem de uma torre Mitchell, com 47 metros de altura, a primeira do gênero no Brasil. A data de sua inauguração, 29 de julho de 1882, foi especialmente escolhida para coincidir com os festejos do 36° aniversário da Princesa Isabel.
Curiosidade


A vida dos faroleiros e de suas famílias nunca foi das mais amenas. Eles moravam em dois pavimentos pequenos, construídos na própria torre do farol, a 12 metros do solo. Além do desconforto da altura e das escadas apertadas e íngremes, o areal que cercava a torre refletia a luz do sol e aumentava a sensação de calor.
Poucos dias antes do natal de 1889, o Diretor de Faróis, Capitão- Tenente Leopoldino José de Passos Jr., apresentou um relatório sobre sua viagem de inspeção a São Tomé , em que dizia estar impressionado com o dia-a-dia das famílias dos faroleiros e sugeria que fossem construídas casas separadas. Além do mais, a água usada na limpeza dos cômodos, quando jogada fora, escorria pela estrutura metálica da torre. A fumaça do fogão, além de sujar paredes e tetos, afetava o aparelho luminoso. Alguns anos depois, foram erguidas as casas "em terra firme", bem plantadas no solo.

Ludgero Rodrigues Arêas tornou-se um dos primeiros faroleiros de São Torné, cargo que assumiu em 1899. O interesse pela profissão foi repassado a seus descendentes, ano após ano. O último faroleiro da família Arêas a trabalhar em São Tome recebeu o mesmo nome de seu avô, pioneiro na profissão. Assim, Ludgero Arêas Crespo, admitido em 1942 e aposentado em 1969, encerrou a presença de 70 anos dos Arêas naquele farol.


O gosto pelo mar disseminou-se por outros membros da família. Um deles, Ivan Pereira Arêas, bisneto de Ludgero Rodrigues, crescido entre faroleiros, e hoje Vice-Almirante, titular da Diretoria de Hidrografia e Navegação, órgão ao qual estão vinculados todos os faróis do Brasil.
A França sempre liderou o mercado internacional de construção dos aparelhos lenticulares. A fábrica Barbier &. Fenéstre, inaugurada em 1862, em Paris, subsistiu, até cerca de 1970, como Barbier, Benard &. Turenne. Em 1877, os franceses já haviam exportado mais de 2.500 aparelhos.
Com criação da "Directoria de Pharóes", em 1876, por decreto imperial, o serviço de balizamento da costa dos portos passou por uma grande reforma. A administração ficou centralizada, mas execução dos trabalhos permaneceu sob responsabilidade das Capitanias dos Portos.
Os faróis são reflexo do engenho de nossa civilização. Suas torres, de pedra, concreto ou metálicas, são testemunho da evolução da arquitetura e da engenharia civil. Oequipamentos luminosos clássicos são obras-primas da ótica e da mecânica.

¹Fonte: DANTAS, Ney – LUZES DO NOVO MUNDO – Histórias dos Faróis Brasileiros; 1ª Edição – Rio de Janeiro, RJ 2002; Editora Luminatti.